04/03/26

UM GALO VAI AO MÉDICO!

UM GALO VAI AO MÉDICO!


CENA 1: No Consultório

(O cenário é um consultório com uma cadeira e uma mesa. O Ganimedes entra com um cachecol de lã enrolado até às orelhas, a caminhar com desconfiança.)

NARRADOR: O Ganimedes está doente. Entra no consultório do Doutor Raposo — um nome, digamos... pouco recomendável ´do ponto de vista de qualquer galo! O consultório está vazio. Ganimedes olha para todo o lado e, de repente, vê o público.

GANIMEDES: (Faz uma cara de espanto, com as asas na cabeça) Ei, pessoal! Vocês vêm todos ao médico? Se for assim, só saio daqui à noite! (Pausa) Esperem lá... isto é uma escola, não é? Estão todos de castigo ou não têm nada para fazer?

NARRADOR: Entra o doutor veterinário, o mais famoso especialista em pássaros do Ribatejo e arredores: o Doutor Raposo!

DR. RAPOSO: (Entra com uma pasta) Bom dia. Qual é o seu nome?

GANIMEDES: (Tosse com força) O meu nome é Ganimedes. Foi o meu avô Américo que escolheu. É o nome da maior lua de Júpiter! O senhor já ouviu falar?

DR. RAPOSO: Já ouvi, sim. É um objeto maior que o planeta Mercúrio. O meu nome é Raposo. Como está o caro amigo?

GANIMEDES: (Dá um salto para trás) Ouvi... Raposo?!

DR. RAPOSO: Sim, Raposo. Há algum problema?

GANIMEDES: Posso fazer-lhe uma pergunta, senhor doutor? O que é que vai almoçar hoje?

DR. RAPOSO: Hoje vou fazer uma canja de galinha.

NARRADOR: O nosso galo fica muito preocupado! Leva as asas à cabeça e vira-se para os meninos na plateia.

GANIMEDES: (Sussurrando para o público) Estou quase cozido! (Para o Doutor) Senhor doutor... o senhor gosta de canja de galo?

DR. RAPOSO: Não, só gosto de galinha. Vou ver se a água já está a ferver. Aguarde um pouco. (Sai de cena)

GANIMEDES: (Para a plateia) Já viram isto? Venho ao médico e corro o risco de cair na panela! Não me digam que vocês também querem um pratinho de canja? Nem pensem nisso!


CENA 2: O Exame Médico

(O Dr. Raposo volta a entrar e aproxima-se do Ganimedes.)

DR. RAPOSO: Reparei que a sua voz parece um pneu a esvaziar. O que se passa?

GANIMEDES: Estou com uma dor de garganta terrível e o meu papo está muito inchado. É grave senhor doutor?

DR. RAPOSO: (Ajusta os óculos e abre a boca do galo) Ganimedes, diga comigo: "Cocorocó!"

GANIMEDES: (Com voz rouca) Cococó... cof, cof... pó!en

DR. RAPOSO: Deixe-me apalpar esse papo... (Toca no pescoço do Ganimedes e faz cara de choque). O seu papo está cheio de... botões, um apito, moedas de dois euros e balões azuis!

GANIMEDES: (Arregala os olhos) Ah! Já me lembro! Ontem houve um concurso de talentos no galinheiro e eu tentei fazer um truque de magia para impressionar a Juquinha. Esqueci-me foi da parte de fazer os objetos reaparecerem!

DR. RAPOSO: (Suspira) Tome dois laxantes, vitaminas e, da próxima vez, deite-se mais cedo. É melhor para a digestão.

GANIMEDES: Sim, senhor doutor.

DR. RAPOSO: Já agora... pode dar-me uma pequena ajudinha? O senhor está com febre, e como estou a fazer canja... Não tem por aí uma amiga galinha com coragem de entrar na água a ferver? Que não tenha febre?

GANIMEDES: (Grita desesperado) Fujam para a casa de banho!

NARRADOR: As duas galinhas que estavam à espera abrem a porta e entram a toda a velocidade, mas o Ganimedes avisa...

GANIMEDES: Fujam do cozinheiro, fujam do Raposo! Escondam-se no meio da plateia!

(O Ganimedes e as galinhas correm para o meio das crianças enquanto o Dr. Raposo as tenta apanhar de forma atrapalhada.)

TODOS: (Fazem uma vénia) FIM!

06/02/26

UM CONTO PARA COMEÇAR OUTRO DIA

 

UMA VIAGEM SECRETA

O Despertar

Tudo começa com o voo da TAP das 6:20. Para quem tem sono leve, é o despertar. Para o Ganimedes, o galo que se acha o maior da quinta, é o sinal para o ritual de beleza: começa por sacudir a caspa noturna das penas, alonga as patas tipo ioga e sussurra no dialeto secreto das aves: "Malta, o sol vai nascer e eu não recebo para estar aqui deitado."

As galinhas, que não pensam em estética, mas sim em calorias, saltam do poleiro com o estomago a dar horas: "Bora lá encher o papo!".

 

A Viagem

O grupo dirige-se ao buraco na porta. O Ganimedes, que tem mania que é zelador, odeia aquela falha na segurança, mas como a fechadura não abre sozinha, lá tem de ser.
Às 6:50 em ponto, com a determinação de quem vai conquistar o mundo o trio lança-se à aventura.

 

O Caos no Trânsito

Uma hora depois, temos o momento digno de um filme do canal Disney: A Travessia da Estrada.

 

1.    A Formação: Fila indiana. Ganimedes na frente, com o peito inchado e um olhar cheio de ideias.

2.    A Atitude: O galo levanta as asas como se fosse um agente da autoridade.

3.    A Reação dos Condutores:

1.            Primeiro: "Ai que fofinho, as galinhas a passar!"

2.            Segundo: "Dá para despachar? Tenho aulas às nove!"

3.            Terceiro: Cabeça fora da janela do carro, gritos e insultos que o Ganimedes ignora com a superioridade de quem vende confiança.

Enquanto o caos se instala, as galinhas vão comendo pedrinhas pela estrada fora. Afinal, um ovo com casca de betão não se faz sozinho.

 

O Mistério: onde raio vão eles?

Chegam ao passeio ilesos, frescos e com aquele ar de quem acabou de ganhar uma maratona. Agora, a pergunta é: Qual é o destino deste trio?

·         Opção A: ir ao outro lado para dizer "eu já estive do outro lado da estrada"?

·         Opção B: invadir o quartel dos bombeiros para testar a sirene?

·         Opção C: ir à estação comprar bilhete para lugar nenhum?

Qual é o teu palpite? Estou a aceitar apostas (canja como pagamento, não!

30/11/25

ALGO DE ERRADO ... NÃO ESTÁ CERTO

 Foi um filme brasileiro realizado em 2020.

"Algo errado não está certo" é um pleonasmo, uma figura de estilo em que há uma repetição desnecessária de palavras ou ideias para reforçar um sentido. A expressão é uma forma enfática e irónica de dizer que há, de facto, um problema ou uma incongruência evidente. 
A frase é popular na cultura portuguesa, muitas vezes usada em contextos humorísticos ou para realçar o óbvio.
Obviamente está frio!

24/05/25

POEMA DO AFINAL - António Gedeão

No mesmo instante em que eu, aqui e agora,

Limpo o suor e fujo ao Sol ardente,

Outros, outros como eu, além e agora,

Estremecem de frio e em roupas se agasalham.

 

Enquanto o Sol assoma, aqui, no horizonte,

E as aves cantam e as flores em cores se exaltam,

Além, no mesmo instante, o mesmo Sol se esconde,

As aves emudecem e as flores cerram as pétalas.'

 

'Enquanto eu me levanto e aqui começo o dia,

Outros, no mesmo instante, exatamente o acabam.

Eu trabalho, eles dormem; eu durmo, eles trabalham.

Sempre no mesmo instante.

 

Aqui é Primavera. Além é Verão.

Mais além é Outono. Além, Inverno.

E nos relógios igualmente certos,

Aqui e agora,

O meu marca meio-dia e o de além meia-noite.

 

Olho o céu e contemplo as estrelas que fulgem.

Busco as constelações, balbucio os seus nomes.

Nasci a olhá-las, conheço-as uma a uma.

São sempre as mesmas, aqui, agora e sempre.

 

Mas além, mais além, o céu é outro,

Outras são as estrelas, reunidas

Noutras constelações.

 

Eu nunca vi as deles;

Eles

Nunca viram as minhas.

 

'A Natureza separa-nos.

E as naturezas.

A cor da pele, a altura, a envergadura,

As mãos, os pés, as bocas, os narizes,

A maneira de olhar, o modo de sorrir,

Os tiques, as manias, as línguas, as certezas.

 

Tudo.

Afinal

Que haverá de comum entre nós?

Um ponto, no infinito.»'

EU QUERO APENAS


 

UM GALO VAI AO MÉDICO!

UM GALO VAI AO MÉDICO! CENA 1: No Consultório (O cenário é um consultório com uma cadeira e uma mesa. O Ganimedes entra com um cachecol de...