06/08/26

FUGA QUASE IMPOSSÍVEL


Olá, humanos e roedores do meu coração!
Daqui fala o Rato Piquet, o Ayrton Senna do esgoto. Por motivos imobiliários, eu durmo debaixo de uma pedra. O problema é que no teto do meu T0 descansa a Gata Catita, uma psicopata com o único objetivo de me transformar em snack.
Estava no terceiro sono quando um humano decidiu fazer obras e levantou a pedra. Cego pelo sol e em pânico total, dei um salto olímpico e aterrei direto em cima da gata. A Catita tentou cravar-me as garras, mas só apanhou a cauda. Corri, montei-me na minha trotinete turbinada e lancei-me à estrada. Passei o nó de Torres Novas a dar corda aos sapatos, ignorei a Via Verde na A1 e só parei em Coimbra.
Fui à procura do meu primo, o Ratão Chefe, mas ele estava de folga. Desesperado e com a cauda a latejar, um rato sem-abrigo mandou-me para o Mondego. Aquilo parecia o SNS dos roedores: um rato filósofo deu-me uma palestra motivacional de duas horas e, enquanto eu estava distraído, um enfermeiro deu-me um nó cego na cauda. Remédio santo.
Moral da história: hoje sou um refugiado político na Cidade dos Estudantes. Não volto ao Ribatejo porque a Catita espera-me com garfo e faca.
Fiquem com um olho no buraco e outro no gato.
Um abraço académico,
Rato Piquet (a viver de raspas de pastel de Tentúgal).

05/08/26

PALITO, O CEGONHO QUE NÃO VAI DE FÉRIAS

   

Palito em direto na Rádio Fun ASM

   Chamo-me Palito, tenho quatro anos e meio — sim, o meio é muito importante! — e vivo com a minha família numa vivenda super solarenga, plantada em pleno Ribatejo.

     Vocês foram de férias? Pois, eu fiquei por cá a fazer o papel de "Guarda Real" deste palácio. Enquanto eu trabalho, os outros Palitos andam por aí em modo turista: a tirar mil fotografias e a caçar petiscos!
     Tenho de vos contar um segredo ultrassecreto: nós não temos ar condicionado nem aquecimento central. Drama? Coitadinhos de nós? Nada disso!
     No verão a ferver ou no inverno a congelar, a nossa solução é simples: apertamo-nos todos como sardinhas em lata e gritamos: — Viva a nossa casa! (O barulho é tanto que o frio e o calor fogem cheios de medo).
     E o pior é quando o vento decide fazer birra e soprar com força... Olhem, corremos todos lá abaixo e agarramo-nos ao poste com unhas e dentes! É que se o poste foge... puf! Adeus, casinha! Já imaginaram a nossa casa a voar como um balão?
     Foi um privilégio participar no programa. Um abraço para todos.

03/07/26

ALGO FRESCO NUM DIA DE CALOR



Uma rola abriga-se do vento uivante e da chuva batida. Sob o rugido da tempestade, ela não recolhe raminhos reais. Num primeiro momento sonha com viagens intermináveis e encontros brilhantes. Depois, com calma e imaginação, tece um ninho virtual caloroso, seguro e indestrutível.

25/06/26

AGRADECIMENTO A TODOS OS QUE FAZEM A ESCOLA NÚMERO 1 DA PÓVOA DE SANTA IRIA

Seis meses se passaram, rápidos como o vento, e hoje acabou um ciclo repleto de significado. Foi um tempo de profunda aprendizagem, de carinho genuíno e de leituras partilhadas que abriram portas para a imaginação. Juntos, viajámos por páginas e livros cheios de senhores azuis, mas também coloridos com muitas outras cores vibrantes, refletindo a diversidade de tudo o que vivemos.

Este percurso foi uma verdadeira viagem de afetos, cheio de doçuras e travessuras que arrancaram sorrisos diários, e preenchido com momentos inesquecíveis de ternura e amizade. Desde o início, fui incrivelmente bem recebido por todos, sentindo-me parte de uma verdadeira equipa.
Por tudo isto, o meu mais sincero agradecimento a quem me convidou para fazer parte desta aventura, a quem me acolheu calorosamente logo no primeiro dia e a quem me facilitou o trabalho ao longo de todo o percurso. Olhando para trás, sinto uma enorme gratidão: no final, foi um tempo maravilhoso que guardarei para sempre no coração.

MM

04/03/26

UM GALO VAI AO MÉDICO!

UM GALO VAI AO MÉDICO!


CENA 1: No Consultório

(O cenário é um consultório com uma cadeira e uma mesa. O Ganimedes entra com um cachecol de lã enrolado até às orelhas, a caminhar com desconfiança.)

NARRADOR: O Ganimedes está doente. Entra no consultório do Doutor Raposo — um nome, digamos... pouco recomendável ´do ponto de vista de qualquer galo! O consultório está vazio. Ganimedes olha para todo o lado e, de repente, vê o público.

GANIMEDES: (Faz uma cara de espanto, com as asas na cabeça) Ei, pessoal! Vocês vêm todos ao médico? Se for assim, só saio daqui à noite! (Pausa) Esperem lá... isto é uma escola, não é? Estão todos de castigo ou não têm nada para fazer?

NARRADOR: Entra o doutor veterinário, o mais famoso especialista em pássaros do Ribatejo e arredores: o Doutor Raposo!

DR. RAPOSO: (Entra com uma pasta) Bom dia. Qual é o seu nome?

GANIMEDES: (Tosse com força) O meu nome é Ganimedes. Foi o meu avô Américo que escolheu. É o nome da maior lua de Júpiter! O senhor já ouviu falar?

DR. RAPOSO: Já ouvi, sim. É um objeto maior que o planeta Mercúrio. O meu nome é Raposo. Como está o caro amigo?

GANIMEDES: (Dá um salto para trás) Ouvi... Raposo?!

DR. RAPOSO: Sim, Raposo. Há algum problema?

GANIMEDES: Posso fazer-lhe uma pergunta, senhor doutor? O que é que vai almoçar hoje?

DR. RAPOSO: Hoje vou fazer uma canja de galinha.

NARRADOR: O nosso galo fica muito preocupado! Leva as asas à cabeça e vira-se para os meninos na plateia.

GANIMEDES: (Sussurrando para o público) Estou quase cozido! (Para o Doutor) Senhor doutor... o senhor gosta de canja de galo?

DR. RAPOSO: Não, só gosto de galinha. Vou ver se a água já está a ferver. Aguarde um pouco. (Sai de cena)

GANIMEDES: (Para a plateia) Já viram isto? Venho ao médico e corro o risco de cair na panela! Não me digam que vocês também querem um pratinho de canja? Nem pensem nisso!


CENA 2: O Exame Médico

(O Dr. Raposo volta a entrar e aproxima-se do Ganimedes.)

DR. RAPOSO: Reparei que a sua voz parece um pneu a esvaziar. O que se passa?

GANIMEDES: Estou com uma dor de garganta terrível e o meu papo está muito inchado. É grave senhor doutor?

DR. RAPOSO: (Ajusta os óculos e abre a boca do galo) Ganimedes, diga comigo: "Cocorocó!"

GANIMEDES: (Com voz rouca) Cococó... cof, cof... pó!en

DR. RAPOSO: Deixe-me apalpar esse papo... (Toca no pescoço do Ganimedes e faz cara de choque). O seu papo está cheio de... botões, um apito, moedas de dois euros e balões azuis!

GANIMEDES: (Arregala os olhos) Ah! Já me lembro! Ontem houve um concurso de talentos no galinheiro e eu tentei fazer um truque de magia para impressionar a Juquinha. Esqueci-me foi da parte de fazer os objetos reaparecerem!

DR. RAPOSO: (Suspira) Tome dois laxantes, vitaminas e, da próxima vez, deite-se mais cedo. É melhor para a digestão.

GANIMEDES: Sim, senhor doutor.

DR. RAPOSO: Já agora... pode dar-me uma pequena ajudinha? O senhor está com febre, e como estou a fazer canja... Não tem por aí uma amiga galinha com coragem de entrar na água a ferver? Que não tenha febre?

GANIMEDES: (Grita desesperado) Fujam para a casa de banho!

NARRADOR: As duas galinhas que estavam à espera abrem a porta e entram a toda a velocidade, mas o Ganimedes avisa...

GANIMEDES: Fujam do cozinheiro, fujam do Raposo! Escondam-se no meio da plateia!

(O Ganimedes e as galinhas correm para o meio das crianças enquanto o Dr. Raposo as tenta apanhar de forma atrapalhada.)

TODOS: (Fazem uma vénia) FIM!

06/02/26

UM CONTO PARA COMEÇAR OUTRO DIA

 

UMA VIAGEM SECRETA

O Despertar

Tudo começa com o voo da TAP das 6:20. Para quem tem sono leve, é o despertar. Para o Ganimedes, o galo que se acha o maior da quinta, é o sinal para o ritual de beleza: começa por sacudir a caspa noturna das penas, alonga as patas tipo ioga e sussurra no dialeto secreto das aves: "Malta, o sol vai nascer e eu não recebo para estar aqui deitado."

As galinhas, que não pensam em estética, mas sim em calorias, saltam do poleiro com o estomago a dar horas: "Bora lá encher o papo!".

 

A Viagem

O grupo dirige-se ao buraco na porta. O Ganimedes, que tem mania que é zelador, odeia aquela falha na segurança, mas como a fechadura não abre sozinha, lá tem de ser.
Às 6:50 em ponto, com a determinação de quem vai conquistar o mundo o trio lança-se à aventura.

 

O Caos no Trânsito

Uma hora depois, temos o momento digno de um filme do canal Disney: A Travessia da Estrada.

 

1.    A Formação: Fila indiana. Ganimedes na frente, com o peito inchado e um olhar cheio de ideias.

2.    A Atitude: O galo levanta as asas como se fosse um agente da autoridade.

3.    A Reação dos Condutores:

1.            Primeiro: "Ai que fofinho, as galinhas a passar!"

2.            Segundo: "Dá para despachar? Tenho aulas às nove!"

3.            Terceiro: Cabeça fora da janela do carro, gritos e insultos que o Ganimedes ignora com a superioridade de quem vende confiança.

Enquanto o caos se instala, as galinhas vão comendo pedrinhas pela estrada fora. Afinal, um ovo com casca de betão não se faz sozinho.

 

O Mistério: onde raio vão eles?

Chegam ao passeio ilesos, frescos e com aquele ar de quem acabou de ganhar uma maratona. Agora, a pergunta é: Qual é o destino deste trio?

·         Opção A: ir ao outro lado para dizer "eu já estive do outro lado da estrada"?

·         Opção B: invadir o quartel dos bombeiros para testar a sirene?

·         Opção C: ir à estação comprar bilhete para lugar nenhum?

Qual é o teu palpite? Estou a aceitar apostas (canja como pagamento, não!

FUGA QUASE IMPOSSÍVEL

Olá, humanos e roedores do meu coração! Daqui fala o Rato Piquet, o Ayrton Senna do esgoto. Por motivos imobiliários, eu durmo debaixo de um...