Daqui fala o Rato Piquet, o Ayrton Senna do esgoto. Por motivos imobiliários, eu durmo debaixo de uma pedra. O problema é que no teto do meu T0 descansa a Gata Catita, uma psicopata com o único objetivo de me transformar em snack.
Estava no terceiro sono quando um humano decidiu fazer obras e levantou a pedra. Cego pelo sol e em pânico total, dei um salto olímpico e aterrei direto em cima da gata. A Catita tentou cravar-me as garras, mas só apanhou a cauda. Corri, montei-me na minha trotinete turbinada e lancei-me à estrada. Passei o nó de Torres Novas a dar corda aos sapatos, ignorei a Via Verde na A1 e só parei em Coimbra.
Fui à procura do meu primo, o Ratão Chefe, mas ele estava de folga. Desesperado e com a cauda a latejar, um rato sem-abrigo mandou-me para o Mondego. Aquilo parecia o SNS dos roedores: um rato filósofo deu-me uma palestra motivacional de duas horas e, enquanto eu estava distraído, um enfermeiro deu-me um nó cego na cauda. Remédio santo.
Moral da história: hoje sou um refugiado político na Cidade dos Estudantes. Não volto ao Ribatejo porque a Catita espera-me com garfo e faca.
Fiquem com um olho no buraco e outro no gato.
Um abraço académico,
Rato Piquet (a viver de raspas de pastel de Tentúgal).
Um abraço académico,
Rato Piquet (a viver de raspas de pastel de Tentúgal).
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