Olá pessoas boas que estais dispostos a ouvir histórias românticas cheias de ternura e de música que nasceu no céu e hipnotiza o prado onde moro. Aqui fala o Grivaldo o grilo mais simpático deste pequeno paraíso.
Digo a todos, na porta da minha toca, que no meio deste silêncio observo as estrelas e a lua nos seus passeios noturnos que nos fazem sonhar com todos os tempos.
Mas eu tenho um pequeno problema. Mesmo aqui ao lado
mora uma grila que anda com comportamento esquisito. Até há poucos dias
fazíamos piqueniques a meio caminho entre as duas tocas e mostrávamos
bandeirinhas com corações vermelhos, e era só sorrisos. De repente tudo mudou,
cantamos de costas um para o outro, eu mando coração recebo um raio de
trovoada, eu canto pouco, ela já não canta. O que mudou? Aceito os vossos
conselhos, podem colocar no chat da nossa rádio.
Três sugestões dos nossos ouvintes: ela comprou um
piano na Temu e ele chegou com uma perna partida, ela está com um problema nas
asas e não consegue cantar ou então está apaixonada por outro grilo …
Alto, o que faço agora?
Decidi seguir os conselhos do chat da rádio e, com o
coração aos pulos, dei o primeiro passo. Peguei numa caixa de ferramentas, num
ramo de dentes-de-leão e fui até à toca dela.
Quando lá cheguei, descobri o mistério: a primeira
sugestão do chat estava certa! A nossa querida grila estava a olhar, muito
zangada e de braços cruzados, para um mini piano cor-de-rosa da Temu que
tinha chegado... com uma perna partida. Por isso é que ela me mandava raios de
trovoada! Estava frustrada porque queria fazer-me uma surpresa musical e o
plano tinha falhado.
Não contive o riso, e ela, ao ver-me rir com tanta
ternura, acabou por deixar escapar uma gargalhada contagiante. O ambiente
pesado desfez-se num segundo.
Apanhei um pequeno ramo seco, usei um pouco de seiva
de árvore e, com dois golpes de mestre, consertei a perna do piano. Ela
olhou para mim com os olhos a brilhar e o seu amuo transformou-se no sorriso
mais luminoso do prado.
Para celebrar, sentámo-nos lado a lado. Ela começou a
tocar o piano (que afinal tinha um som deliciosamente desafinado) e eu afinei
as minhas asas para a acompanhar. Cantámos e rimos a noite inteira, virados de
frente um para o outro, enquanto trocávamos as bandeirinhas de corações
vermelhos. O silêncio da noite deu lugar à melodia mais feliz do mundo,
provando que nem a Temu consegue quebrar o amor de dois grilos!"
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