Notícias do passado - 5
O campo era um betão
brutal, sem linhas, onde os joelhos facilmente iam para o PBX. As
bancadas? Selva pura, com formigas à solta e gafanhotos à procura de aventura. As
balizas iam passar o fim de semana fora e às vezes esqueciam-se de voltar, ou
então vinham só para os torneios de final do período.
Para lá das grades da vedação baixinha, oliveiras e
mato; à volta do campo, uma pista de atletismo. Cinco faixas de cimento áspero
como lixa, onde o vento limpava a poeira e as pastilhas tinham deixado as
marcas. Havia saltos na caixa, um sobe e desce radical, e bicas para a sede —
um parque radical!
Árvores tristes faziam pose com classe, até que a
modernidade dissesse: "Afastem-se!". Hoje há um pavilhão, tudo muito
limpinho, mas falta a magia daquele belo espinho.
Era o tempo em que a estação dos comboios ia resistindo ao progresso e a passagem de nível era a única forma de atravessar para lá e, para cá. Os bombeiros ficavam em frente à estação e acabaram por mudar de casa e agora quando saem à rua lá têm a escola do outro lado. Tudo melhorou?

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