11/08/26

ARÉLIO O PARDAL DESTEMIDO

 


Olá daqui fala o Arélio, um pardal às vossas ordens.

Envio cumprimentos a todos os que nos ouvem neste verão cheio de calor para ir a banhos. Pediram-me para divagar sobre um dia na minha vida.

Moro numa cidade simpática onde as pessoas são muito fixes e muito forretas e onde há imensa água para fazer tudo a que temos direito.

Levanto-me muito cedo e como durmo só com um olho fechado assisto todos os dias ao nascer do sol. E aí começa a muinha procura de alimento. É à volta desta necessidade que se faz o meu dia. De manhã, voo entre as entradas dos hotéis e estações de comboio e pela hora de almoço são as explanadas dos jardins. Fico com os meus amigos num ramo de árvore e aguardo serenamente que os clientes arrumem as cadeiras e sigam à sua vida. Depois é fazer um voo rasante, silencioso, e picar em tudo o que ficou. O meu petisco preferido são os miolos de bolos e as migalhas de pão, "não dão trabalho a mastigar".  Não partimos loiça nem chateamos ninguém, são ataques tipo relâmpago que só um olhar atento nota.

Durmo num ramo de uma árvore ou num recanto de um jardim, depende do vento e da temperatura. Detesto que me abanem durante a noite porque complicam o desenvolvimento dos meus sonhos para o dia seguinte.

A minha força está nos meus colegas de bando, todos juntos fazemos a diferença.

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