Olá daqui fala o Arélio, um pardal às vossas ordens.
Envio cumprimentos a todos os que nos ouvem neste verão cheio de calor para ir a banhos. Pediram-me para divagar sobre um dia na minha
vida.
Moro numa cidade simpática onde as pessoas são muito
fixes e muito forretas e onde há imensa água para fazer tudo a que temos
direito.
Levanto-me muito cedo e como durmo só com um olho fechado
assisto todos os dias ao nascer do sol. E aí começa a muinha procura de
alimento. É à volta desta necessidade que se faz o meu dia. De manhã, voo entre
as entradas dos hotéis e estações de comboio e pela hora de almoço são as
explanadas dos jardins. Fico com os meus amigos num ramo de árvore e aguardo
serenamente que os clientes arrumem as cadeiras e sigam à sua vida. Depois é
fazer um voo rasante, silencioso, e picar em tudo o que ficou. O meu petisco
preferido são os miolos de bolos e as migalhas de pão, "não dão trabalho a mastigar". Não partimos loiça nem chateamos ninguém, são
ataques tipo relâmpago que só um olhar atento nota.
Durmo num ramo de uma árvore ou num recanto de um jardim,
depende do vento e da temperatura. Detesto que me abanem durante a noite porque
complicam o desenvolvimento dos meus sonhos para o dia seguinte.
A minha força está nos meus colegas de bando, todos juntos
fazemos a diferença.
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