17/08/26

GRAÇA DO TEJO PESCA NUMA LINDA MANHÃ

 

Bom dia, corações ouvintes da Rádio Fun ASM!

     


A emissão de hoje é comigo, a vossa Graça do Tejo! Peço que sintonizem a vossa paciência na frequência certa, pois se há coisa de que sou perita, é de paciência. Para quem não me conhece pelas ondas do rádio, sou aquela ave elegante, de pescoço longo em formato de "S", que desfila charme nas margens do Tejo, aqui bem perto da Azambuja. Sou famosa pelas minhas técnicas ninjas de caça rápida e pelas minhas famosas iscas para atrair peixes. Sou, basicamente, uma estátua com asas.

      Deixem-me contar-vos o que me aconteceu numa destas manhãs. Estava eu com as patinhas na água, mais imóvel do que um monumento público. Três horas nisto, meus amigos. Três horas! E nem um peixe para amostra. Os meus dedos já pareciam passas de uva.

      Para quebrar o gelo, levantei uma pata com toda a delicadeza e fiz "pin" na água. Criaram-se círculos perfeitos na superfície, como se o rio estivesse a bocejar. De repente, pluf! Senti um movimento. Com a rapidez de um raio, dei uma picada certeira num vulto mistério.

       Olhei para o lado, vi a Sra. Vaca que pastava por ali e gritei-lhe: "Comadre, acho que pesquei um crocodilo do Tejo!".

       A vaca, que quase se engasgou com a erva de tanto rir, respondeu-me: "Ó vizinha, isso é um peixe-pau!".

       Ora, aí ri-me eu com as minhas penas! Peixe-pau? Toda a gente sabe que isso só existe no norte de Espanha! A Sra. Vaca, ofendida na sua sabedoria popular, começou a explicar-me a árvore genealógica dos peixes ibéricos. Conversa puxa conversa, a história dela era tão, mas tão longa, que eu adormeci ali mesmo. Em pé, como as estátuas.

       Só acordei sobressaltada quando senti um calorzinho morno na pata esquerda. Era um cãozinho simpático, mas sem modos, que me confundiu com um poste de eletricidade e veio fazer o seu xixi matinal.

       Olhei para baixo para ver o meu grande "monstro marinho"... e afinal era só um pequeno tronco de madeira. Um pedaço de pau. Olhei para a vaca, ela piscou-me o olho, e o cão seguiu a abanar a cauda.

       Moral da história, queridos ouvintes: a paciência tem limites e o Tejo tem rãs, mas não tem crocodilos. Às vezes, o melhor é cortar o mal pela raiz antes que nos usem como casa de banho!

       Obrigada por estarem desse lado. Continuem sintonizados na Rádio Fun ASM e tenham um dia supersónico!

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