Estamos num século mais à frente, na praça da vila, arrumamos a melancolia a um canto, foi injetado café de outra galáxia nas bicas metálicas de todos os tempos e o Picuinhas vai dirigir os trabalhos sobre este encontro, que se realiza todos os anos, no final do vigésimo mês.
Liguem os holofotes de néon. Haja música eletrónica épica com batidas de sintetizador futurista em fundo e lancem o microfone flutuante até ao centro do palco. Fiquem com o Picuinhas!
Picuinha: - Alô, alô, Humanidade e Comunidade Interespécies!
Falta-vos ritmo no holograma? Não temam, porque fala o vosso Picuinhas, o ouriço maestro e DJ residente do
futuro! Sou o único capaz de organizar o caos e meter esta comunidade a
bombar!
Alguém aumentou o volume da
música e ouvem-se megafones de quem está nas varandas já a reclamar para baixar
o som. Vamos lá …
Picuinhas: - Abram as mentes! Hoje o centro da vila
transforma-se na maior pista de dança do universo. À volta deste palco?
Milhares de animais... que digo eu? Milhões
de criaturas a desfilar estilo cybergardunha.
Picuinha: — Olhem-me para isto: ali junto à casa do Valentim,
temos as melgas a afinar os agudos (com autotune, claro!). Mais acima, as osgas
controlam o sistema de ar condicionado quântico. E à porta do senhor Manuel
Paulo? É a loucura total! Mamíferos convergentes e humanos em simbiose
perfeita. Há leões a mandar vir cafés
pingados, elefantes a descascar tremoços à velocidade da luz e um macaco
cibernético a fazer tatuagens de néon em periquitos monge! As filas são
quilométricas e as roupas têm cores que o olho humano nem conseguia processar
no século XXI! Na rua do ribeirinho, grandes mesas com toalhas cheias de cheiro
de flores de todos os planetas conhecidos, os quais mudam de padrão sempre que
alguém diz, como estás.
Picuinhas: - Sentem o fresco? É a nossa nuvem de água molecular
a refrescar o ambiente, enquanto um véu holográfico limpa qualquer pinga de
tristeza e a transforma em alegria pura! E agora... quem entra em cena? EU! O maestro ouriço!
Preparem os capacetes porque vamos viajar
no tempo. Tocamos os clássicos e saltamos diretamente para o futuro distante, com a serenidade das
eras que ainda estão por vir. E para o grand finale? O clássico dos
clássicos: Arlindo de Carvalho na versão remix espacial “O Futuro é de Paz”!
A música baixa ligeiramente, dando espaço
a um eco profundo e inspirador
Picuinhas: — Deixo o microfone em modo open source.
Sintam as notas, sintonizem a vossa frequência e lembrem-se: o mundo é um
destino pintado com sentimentos que nos transportam para o infinito...
Picuinha : — E pimba, já estamos de volta, em direto! Gostaram
dos coros desta malta toda? É um privilégio dirigir todos vós! Sintam esse coração
livre, o cérebro carregado a 100% de criatividade e prontos para ajudar o
próximo! Desçam comigo deste palco flutuante que esconde o repuxo e vamos
direitinhos ao meu estúdio para transmitir, via rádio aqui, e em toda a galáxia, as relíquias de há séculos atrás — porque o
que é bom, é eterno! Só um aviso de segurança para a pista de dança: cuidado ao abraçarem o maestro, que os meus
picos ainda estão em fase de crescimento acelerado!
Um abraço giga-biónico para todos e
espero-vos no amanhã. O futuro não é só paz... é uma festa! Fui!
