Bom dia, caros ouvintes! Entramos em novembro num ano que estava a ser quase perfeito... até eu aceitar fazer esta reportagem! Estou em direto do Parque das Nações em Lisboa, onde o sol brilha, o rio sorri e 32 cães decidiram que hoje era o dia ideal para testar os limites do meu sistema nervoso.
Estou na esplanada De um café perto da Torre Vasco da Gama, o epicentro de uma revolução de caudas a abanar. Os donos tentam desesperadamente segurar as trelas, mas os patudos só pensam em liberdade e, honestamente, em assaltar a vitrine dos bolos. A desorganização deste magnífico evento está a cargo de um corajoso humano que gere o caos apenas com a força do pensamento e reza para que ninguém morda as mesas. Ele já avisou que só bate palmas quando isto acabar e ele ainda tiver as calças intactas!
No ar, respira-se uma fragrância exótica: uma mistura inesquecível do cheiro a lama da maré baixa com o aroma de um café servido ao preço do ouro líquido. Se o café não me acordar, o cheiro a rio trata do assunto!
O desfile começou e, senhoras e senhores, isto não é uma marcha, é um concerto de heavy metal canino! Todos ladram ao mesmo tempo. É um festival de decibéis que faz com que a assistência, os pombos e até as estátuas ao redor tapem os ouvidos com as patas, as asas ou as mãos.
Os truques prometidos começaram agora e o júri já chora de rir! Temos um Bulldog Francês que devia fingir-se de morto, mas preferiu deitar-se de barriga para cima a ressonar que nem um porco-da-índia gigante. Logo a seguir, um Caniche de alta linhagem tentou fazer o truque de dar a pata, falhou o cálculo e aterrou com o focinho diretamente na caneca de cerveja de um cliente! Que pontaria!
E desfilam todos em fila indiana. Ainda bem, porque a minha cultura visual de raças é nula: para mim, ou é um Pastor Alemão gigante ou é um Serra da Estrela com pelo para fazer três cachecóis. Esperem, o concorrente número 14, um Serra da Estrela colossal, decidiu ignorar o circuito e começou a fazer o truque de "rolar", levando atrás de si três mesas da esplanada, dois guardanapos e o casaco de uma senhora. A assistência está a chorar de rir, as gargalhadas ouvem-se até em Loures!
Enquanto o público quase se mija a rir com as peripécias, os pardais do parque dão sinais de profunda impaciência. Os meus nobres colegas pombos já começaram a picar nos pardais, culpando-os numa discussão acesa pelo atraso no almoço. É o caos aéreo e terrestre em simultâneo!
Amigos ouvintes, milagrosamente o desfile terminou sem feridos graves. Agora vigora a lei da recompensa: todos os concorrentes têm direito a festinhas, a descansar à força na esplanada e a valentes nacos de empadas que roubaram das mesas com a perícia de ninjas profissionais.
Termino esta
emissão com as lágrimas a correrem-me pelo rosto de tanto rir e com um abraço
caloroso para todos. Se quiserem aproveitar, ainda há empadas de espinafres
intactas no balcão. Mas venham depressa, porque um Labrador ali do canto já
saltou a cerca e está a fazer olhinhos à funcionária!
Estúdio, é tudo por agora!

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