Hoje a convidada sou eu, a vossa Garça Real — especialista em detetar o impossível e pescadora incrível de peixes distraídos e mimados. Estamos juntos em mais uma emissão na nossa Rádio Fun ASM! Venham comigo…
Sou uma
ave que gosta de passear à beira-mar. Curto as ondas, assim, silenciosamente.
Sou uma caçadora nata, sempre pronta a transformar o oceano no meu menu
privado. Fico ali, a saborear cada segundo que a vida me dá, a namorar o mar e
cada onda que morre na praia. E de repente… pumba. Um peixe descuidado
cai-me no bico. Quando ele dá por ela, já o meu estômago está a fazer a
digestão.
Mas a vida, meus amigos, é uma comédia de bastidores.
Um dia
destes comi um peixe que me pôs a pensar na existência de uma forma demasiado
séria. Não é que o bicho deu tantas voltas no meu bucho que me fez vomitar tudo
o que tinha ingerido no dia? E eu que só estava a tratar da minha dieta!
Na vida, tudo é possível — até adormecer em pé na corda bamba. Mas basta uma espinha de um simples e querido peixe para deitar um império a perder num segundo.
Vocês perguntam-me: "Ó Garça, mas como foi isso possível?" É simples. O peixe caiu na areia, foi levado por uma onda de azar e eu, quatro dias depois, ainda ando enjoada! E sabem o que mais saiu pelo meu bico nesse dia de purga existencial? Um porta-chaves com a Torre Eiffel e um abre-latas em bronze, já todo esverdeado… confesso, tenho andado um bocadinho distraída. O materialismo anda a dar-me a volta ao estômago.
Por isso, não se distraiam. A vida vai-se
esgotando, mas o espetáculo continua. Amanhã será mais um dia fantástico.
Lembrem-se de que todos temos bons e maus momentos, e que até as garças reais
vomitam recordações de Paris.
Sigamos o caminho… e deixem as ondas levar o que não interessa.

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