19/08/26

AS AVENTURAS DA ZEFA, A ANDORINHA MAIS FIXE DO TEJO!

 


   

 Olá, curiosos da Rádio Fun ASM! Espero que estejam com as asas fechadas e as orelhas bem abertas! Daqui fala a vossa repórter com mais penas e menos juízo de Portugal: a Zefa! Sim, a própria, aquela andorinha tagarela que vocês adoram.

      Aterrámos em Portugal mesmo no final do inverno, vindos diretamente da África do Sul. Uma viagem longa, com direito a turbulência e algumas cãibras nas asas, mas que valeu cada quilómetro! Agora, adivinhem? O dever chama e já estamos quase, quase a fazer as malas para voltar.

      A nossa estadia por cá foi uma autêntica loucura! Construímos os ninhos no sítio do costume (condomínio privado de luxo, claro), os ovinhos chegaram e, de repente... pumba! Nasceram os bebés. Malta, que canseira! Passámos os dias em modo "Uber Eats para passarinhos", a alimentar bicos insaciáveis, a fazer acrobacias no ar e a apanhar alguns sustos com os gatos da vizinhança. Mas o tempo voou — literalmente — e já cheira a despedida.

       Neste momento, o bando combinou um "sunset" de arromba nos fios elétricos junto ao rio Tejo para planear a viagem. Já estamos a ensaiar os grandes êxitos musicais que compusemos nestes meses, o GPS biológico já está afinadíssimo e, daqui a nada, arrancamos num voo sem paragens! O menu de viagem? Petiscos de insetos e shots de água da chuva, tudo servido em pleno voo. Prometo que, quando estiver a sobrevoar o deserto do Saara, mando uma mensagem de WhatsApp para a rádio!

      Beijos voadores e grandes picadelas de amizade para todos! Ah, e um aviso de amiga: por amor da santa, não me confundam com os pardais. Nós temos muito mais estilo! Até breve!

 

18/08/26

LOCUTOR FLAMINGO, NUMA BOA ONDA

 


      Olá, ouvintes da Rádio Fun ASM! O vosso "Influencer do Pântano" entrou na vossa antena para contar o estrondo que foi o meu dia de ontem.

      Aterrei na colónia e parei o trânsito aéreo! O ritual anual serve para rever o bando, impressionar as miúdas e alimentar o ego. Primeiro, limpámos o "Prato do dia" de algas e camarão — saí de lá a explodir em tons de néon. Logo a seguir, veio o concurso de pernas. Quando estiquei os meus pernilongos divinais, a concorrência chorou de inveja. Pareciam patos de borracha ao meu lado!

      Para humilhar o bando, fechámos o dia com um jogo de cultura geral. Pergunta de rasteira: "Qual é a cor das crias ao nascer?". O bando congelou com cara de quem engoliu um sapo. Só este cérebro brilhante sabia que nascemos cinzentos. Ganhei o prémio e esmaguei a concorrência.

      À saída, o delírio. As flamengas fizeram-me uma espera e gritaram histéricas: "Tu és o maior, o Brad Pitt da colónia!". O resto... fica para a vossa imaginação.

      Sucesso estratosférico para a rádio! Falamos no próximo ano quando eu cá voltar para... bem, o excesso de camarão subiu-me à cabeça e esqueci-me.

      Beijos de luz e até!

17/08/26

GRAÇA DO TEJO PESCA NUMA LINDA MANHÃ

 

Bom dia, corações ouvintes da Rádio Fun ASM!

     


A emissão de hoje é comigo, a vossa Graça do Tejo! Peço que sintonizem a vossa paciência na frequência certa, pois se há coisa de que sou perita, é de paciência. Para quem não me conhece pelas ondas do rádio, sou aquela ave elegante, de pescoço longo em formato de "S", que desfila charme nas margens do Tejo, aqui bem perto da Azambuja. Sou famosa pelas minhas técnicas ninjas de caça rápida e pelas minhas famosas iscas para atrair peixes. Sou, basicamente, uma estátua com asas.

      Deixem-me contar-vos o que me aconteceu numa destas manhãs. Estava eu com as patinhas na água, mais imóvel do que um monumento público. Três horas nisto, meus amigos. Três horas! E nem um peixe para amostra. Os meus dedos já pareciam passas de uva.

      Para quebrar o gelo, levantei uma pata com toda a delicadeza e fiz "pin" na água. Criaram-se círculos perfeitos na superfície, como se o rio estivesse a bocejar. De repente, pluf! Senti um movimento. Com a rapidez de um raio, dei uma picada certeira num vulto mistério.

       Olhei para o lado, vi a Sra. Vaca que pastava por ali e gritei-lhe: "Comadre, acho que pesquei um crocodilo do Tejo!".

       A vaca, que quase se engasgou com a erva de tanto rir, respondeu-me: "Ó vizinha, isso é um peixe-pau!".

       Ora, aí ri-me eu com as minhas penas! Peixe-pau? Toda a gente sabe que isso só existe no norte de Espanha! A Sra. Vaca, ofendida na sua sabedoria popular, começou a explicar-me a árvore genealógica dos peixes ibéricos. Conversa puxa conversa, a história dela era tão, mas tão longa, que eu adormeci ali mesmo. Em pé, como as estátuas.

       Só acordei sobressaltada quando senti um calorzinho morno na pata esquerda. Era um cãozinho simpático, mas sem modos, que me confundiu com um poste de eletricidade e veio fazer o seu xixi matinal.

       Olhei para baixo para ver o meu grande "monstro marinho"... e afinal era só um pequeno tronco de madeira. Um pedaço de pau. Olhei para a vaca, ela piscou-me o olho, e o cão seguiu a abanar a cauda.

       Moral da história, queridos ouvintes: a paciência tem limites e o Tejo tem rãs, mas não tem crocodilos. Às vezes, o melhor é cortar o mal pela raiz antes que nos usem como casa de banho!

       Obrigada por estarem desse lado. Continuem sintonizados na Rádio Fun ASM e tenham um dia supersónico!

16/08/26

UM GRILO E UM ECLIPSE DO SOL

      


      Olá, caras bonitas da Rádio Fun ASM 

      Espero que estejam bem e com as pilhas carregadas.

      Moro no norte de Espanha, numa cidade tão pequena que só tem, no nome, quatro letras. Canto em espanhol. De dia, vivo debaixo da terra a criar canções, longe da escola e da internet. À noite, subo à superfície e solto a minha música. Os meus vizinhos são os grilos e são o melhor coro do mundo. Cantam imenso e trabalham de graça!
      Mas ontem, o mundo ficou maluco: o dia virou noite antes da hora. Subi pelo buraco e vi o Sol a ser mastigado por um Pac-Man gigante no céu. Ficámos sem perceber nada. Como escureceu, os grilos e eu começámos a cantar "A noite é muito bonita", para ver se o universo voltava ao normal.
      À nossa volta, os humanos usavam uns óculos ridículos do futuro. Olhavam para o Sol a desaparecer e não faziam nada para ajudar! Coisa típica de adultos: ficam a olhar de braços cruzados para os problemas, desde que fiquem bem na fotografia. Nós fizemos uma barulheira monumental. Não resolveu nada no momento, mas soube muito bem.
      O Sol fintou o comilão amarelo e voltou a brilhar. Nós, os seres mais inteligentes, regressámos ao nosso túnel quentinho. Mais tarde, perguntei à nossa grila médica o que tinha acontecido. Ela respondeu: "Dois astros cruzaram-se no céu e nós vimos."
      Que seca de resposta! Acham que foi boa, ou ela não tinha paciência para as minhas perguntas difíceis?
      Um abraço apertado com as minhas duas antenas!

15/08/26

AS FELIZES AVENTURAS DA FORMIGA VIAJANTE

 


(Entra no palco a saltitar ligeiramente, olha para o público com um enorme sorriso e acena)

      No barulho animado do ferro e das malas, uma pequena sombra corre cheia de energia. Sou eu, a Formiga Viajante, e moro no Alfa Pendular!
      Olhando bem para a minha vida, eu tenho uma sorte gigante! Viajo sempre de borla e faço amigos entre Lisboa e Porto. É verdade que na Gare do Oriente quase ganhei um prémio: um pastel de nata gigante caiu mesmo ao meu lado e deu-me banquete para a viagem toda! E noutra aventura, apanhei boleia na pastilha elástica de um senhor e fui a fazer piruetas felizes até ao vagão-bar. Que diversão!
(Põe a mão na bochecha, a olhar em redor com um sorriso divertido)
      O mais engraçado são os humanos. São tão tecnológicos que conseguem ressonar, de boca aberta, e continuar a fazer scroll no telemóvel mesmo a dormir! Olho para eles e só me dá vontade de rir!
(Faz uma grande inspiração, fecha os olhos por um segundo e sorri com paz)
      Mas a minha maior felicidade é quando o comboio faz uma pausa. Eu saio discretamente, subo a um banco da plataforma e... respiro fundo aquele ar puro e fresco! Sinto-me a formiga mais feliz do universo!
(Estende os braços para o público com grande entusiasmo)
      O meu destino viaja sobre carris cheios de alegria. Quem quer entrar a bordo desta fantástica aventura comigo?

14/08/26

CHICÃO ... O CÃO ESTAFETA

 

    Olá, ouvintes da rádio patuda! Daqui fala o Chicão, o verdadeiro senhor do Quarto C. O Chico? É só o humano que paga a renda. Vivo num ambiente lindo, banhado por uma luz suave que me acalma as pupilas. A minha rotina é complexa: de dia dou passos aleatórios pela casa; à noite, durmo que nem uma pedra.
    Pelas dez da manhã, arranco para a minha missão: buscar o jornal ao café da rotunda. O Sr. Marques já me conhece bem. Enrola o jornal na minha coleira — estilo agente secreto — e eu volto para casa com o cuidado de quem transporta códigos secretos. Nas passadeiras, há sempre drama. Outro dia, a meio da estrada, aparece-me um cão saído do manicómio a desafiar o timbre do meu latido. Ficámos ali num impasse mexicano, olho no olho, até que um condutor grita da janela: "Ó malta, isso avança hoje ou só no próximo ano bissexto?"
    Como entro no prédio? Tecnologia de ponta: sento-me nas patas traseiras e ativo o "olhar de cão abandonado". Enquanto espero por boleia humana, faço análises às nuvens e observo as árvores silenciosas. Porta aberta, subo as escadas com a elegância de um lorde. Bato três vezes na porta com o focinho e a gerência humana entra em delírio: "Olá Chicão! Menino lindo, dá cá o jornal!" Entrego a mercadoria e marcho até à cozinha para cobrar o meu imposto em biscoitos. Quem cumpre o dever, merece o petisco!
    Boas férias a todos se o dono deixar
    Beijinhos, abraços e muitas lambedelas!

13/08/26

JULINHO - É ESTA A MINHA VIDA!

 

    Atenção, ouvintes radioativos da Fun ASM! Aqui bate o coração microscópico do Julinho, o peixinho cheio de escamas e rei absoluto do ecossistema de 50 litros do bonitão Nestor.

    Vejam bem a minha sina: moro num cubo de vidro tão limpo que a minha própria consciência moral reflete-se no arvoredo natural. Mas já chega! Estou com um esgotamento nervoso nas guelras de tanto piscar em modo hora de ponta e dançar o vira com uma palmeira de plástico que tem tiques de borboleta atordoada. É a mesma papa em pó que sabe a tédio cósmico, a mesma roda de hamster marinho a girar para o boneco, e aquela maquineta do canto que vomita bolhas de ar interplanetárias a fingir que isto é o centro do universo.

    E a "chuva"? Que raio é a chuva?! Um delírio marítimo! Nunca vi um pingo de água cair de cima, o que é dramático para quem vive afogado desde o berço, mas sinto nos ossos que há uma humidade cósmica por aí solta.

    Portanto, ouçam bem o meu ultimato ao cosmos: troco sete histórias não contadas por um ano inteiro que saiba a algodão-doce com sabor a rebelião fiscal! Quero pouco caos! 

    E se vierem espreitar-me através do aquário, tragam sorrisos de dentes falsos, flexões de braços e zero melancolia, senão mordo-vos o reflexo.

    Um safanão de barbatana e uma cuspidela de oxigénio para todos vós!

    Não se percam por aí! Nós somos a melhor rádio do planeta e arredores. Fiquem sintonizados.

12/08/26

CRÓNICA DE UMA GATA RIBATEJANA

     

     Olá, corações que me escutam. Daqui fala-vos a Tica. 

     Transmito a minha voz a partir de uma casa quase esquecida pelo tempo, plantada no coração sereno de uma cidade ribatejana.

     A minha existência corre mansa, como as águas do rio que adivinho ao longe. O mestre destas paredes visita-me duas ou três vezes por semana. Nesses dias, uma alegria imensa e secreta inunda o meu peito. Tenho a pena leve de não lha saber traduzir em gestos, pois ele oferece-me o mundo em forma de carinho, água fresca, petiscos e rações generosas. O meu amor por ele é um silêncio absoluto. Eu simplesmente não o sei dizer.

     Quem me observa de fora, porém, percebe que sou eu quem governa este império de abandono. A minha soberania lê-se na minha postura, no meu pelo de um branco mágico e na forma suave com que abraço as contradições da vida. Carrego uma paz profunda, e faço-o com o maior orgulho.

     Neste meu reino, convivo em perfeita harmonia com os ratos do campo que cruzam o meu caminho. Olhamo-nos de soslaio, fingindo o desconhecimento. É nesse pacto silencioso que partilhamos a água e os manjares que, o meu senhor, nos deixa.

     Por aqui sigo, vigilante e tranquila. Os meus olhos e ouvidos guiam-se pelo compasso dos comboios que rasgam a distância. Sei que é num deles que viaja o meu dono, trazendo consigo as festas que me acalmam e as guloseimas que me adoçam a alma.

     Sejam felizes, com coragem e alegria