25/10/26

O GRANDE ARRAIAL DA ASM: BRASAS, CANTIGAS E CORAÇÃO

 Notícias do passado - 12

      Nos confins de junho, quando o verão espreita e o calor aperta, a ASM sofria uma metamorfose digna de passarela: guardavam-se os formalismos e vestiam-se os aventais - uma sinfonia visual de padrões geométricos, bonecos bizarros e cores berrantes que fariam inveja a qualquer estilista de Paris. Atrás das cortinas, a equipa das compras já tinha tecido a sua magia secreta, ligando para meio mundo para garantir que aquele dia ficasse gravado na memória (e no estômago) de todos.

      No dia D, decretado pela diretora, a manhã começava com um compasso de urgência poética. À prova punha-se o equipamento da cozinha, num teste de fogo digno de alta competição: tudo era preparado, separado, partido e empratado com a precisão de cirurgiões e o caos de uma comédia pastelão. Ao meio-dia, servia-se o almoço para os verdadeiros bravos da culinária - um banquete rápido antes do merecido descanso guerreiro.

      No princípio da tarde, quando a força do calor parecia querer derreter as ideias, começava a romaria. Chegavam os primeiros fregueses, vindos de todos os quadrantes, numa invasão alegre e barulhenta de gente das escolas. Era um entra e sai de braços carregados: reajustavam-se mesas, arrastavam-se cadeiras, estendiam-se toalhas e voavam talheres. No meio da azáfama, as bandeirinhas coloridas esvoaçavam freneticamente, bailando ao ritmo de uma nortada teimosa, enquanto os testes de luzes piscavam como pirilampos festivos.

      E ali, imperturbável no meio do furacão, o senhor José cuidava do fogo. Preparava as brasas com a calma sagrada de quem sabe que o tempo é o melhor tempero.

      Então, o espetáculo começava! Entravam em cena as sardinhas prateadas, o carapau orgulhoso, os pimentos a perfumar o ar e as minis bem frescas a estalar. Havia pão fofo, chouriço que chorava gordura na brasa e o sal q.b. lançado com a mestria de um artista. Diante de dois assadores e muitas grelhas novinhas em folha, lutava-se contra o fogo: água para cima delas para acalmar as chamas e atiçar o apetite! Cada um servia-se sem pressas, partilhando conversas salpicadas de riso.

       Para o grande final, guardava-se o doce mistério das sobremesas e a derradeira prova de fogo: o karaoke. Ali, entre notas agudas falhadas e refrões cantados a plenos pulmões, nasceram grandes artistas da nossa praça!

      Quando a noite finalmente fechava as suas cortinas escuras, o feitiço quebrava-se com doçura. Como formigas operárias e organizadas, todos davam as mãos: arrumava-se a mobília, limpava-se o refeitório e o bloco um. Em fila, tudo regressava ao seu lugar de origem, mas já nada era igual.

      Para o ano, a receita será a mesma. Porque, no fundo, todos sabemos que vale a pena parar o tempo para celebrar a vida com estes companheiros de viagem que transformam o ensino numa linda e eterna poesia.

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