Eis as borboletas, insetos que desenham o futuro de todos
nós. Não habitam o espaço; fundam-no em cada desvio, cruzando silêncios antigos
com cores que a terra ainda tenta decifrar. Onde o olhar humano vê fragilidade,
reside a engenharia mais perfeita do cosmos: uma arquitetura de luz que
sustenta o fôlego de outros mundos.
Ignoram a arrogância dos muros. Desfazem a ilusão das
janelas com a pressa de quem conhece a eternidade. São a geometria sagrada que
corrige os nossos enganos mais pesados com a leveza de um pouso. Não há no
universo toque mais absoluto do que o beijo que oferecem às flores — uma
ternura exata, sem desperdício, que alimenta a própria engrenagem da vida.
Se o tempo lhes nega as teclas de um piano, a sua
própria existência é a sinfonia que os homens passam séculos a tentar traduzir.
Descansam na chuva com a dignidade dos soberanos e voam na sombra como se o
infinito fosse o seu pátio de recreio.
Não há voo pequeno. Se uma destas asas sagradas
palpita no Japão, a espinha dorsal do planeta curva-se em reverência. A sua
ausência não seria um vazio na paisagem; seria a mudez definitiva da beleza.
Precisamos da vossa viagem contínua, da vossa harmonia que costura as feridas
do mundo.
Sem vós, seríamos apenas estátuas de argila à espera de um sopro que nunca chegaria.
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