Sissi é meu nome. Sou uma osga com alguma idade. Olá meninas e meninos vou contar uma história. Espero que gostem!
Neste verão, montei o meu palacete numa casa abandonada. À noite, o meu "clube noturno" privado é junto ao candeeiro. Ali faço a minha dieta à base de mosquitos (uma iguaria melhor que qualquer restaurante de luxo!). Mas hoje trago-vos um poema-desabafo sobre uma noite que começou em banquete e acabou em tragédia grega por causa de umas sobras de festa.
O Baile da Saudade
O tempo está quente, o ar cheira a jasmim,
Relembro os piqueniques que outrora vivi,
Quando era uma osguinha, correndo no jardim,
E o mundo era um doce que eu nunca esqueci.
Relembro os piqueniques que outrora vivi,
Quando era uma osguinha, correndo no jardim,
E o mundo era um doce que eu nunca esqueci.
Hoje o tempo mudou, a cortina desceu,
Vou ao fim da festa, quando a noite é já fria,
Até a formiga para a toca correu,
Mas no meu peito idoso ainda mora a alegria.
Vou ao fim da festa, quando a noite é já fria,
Até a formiga para a toca correu,
Mas no meu peito idoso ainda mora a alegria.
Por mais que limpem o chão do quintal, há sempre um milagre. Uma migalha de pão, um doce esquecido ou um pedacinho de queijo que me faz salivar. Estava eu toda radiante, abraçada ao meu grande achado com o amor de quem encontra a sua alma gémea em forma de lanche, quando o destino decidiu pregar-me uma partida.
O Encontro de Titãs
De repente, vinda do nada, surge ela. Uma sardanisca com uns impressionantes 30 cm de envergadura e perto de meio quilo de pura "sabedoria aparente" (e muito caparro!). Olhou para a minha fatia de pão com olhos de vilã de novela e atirou-se a ela como se não houvesse amanhã.
Entrámos numa luta daquelas, à antiga! Parecíamos duas ninjas em câmara lenta, mas o carma é tramado: as duas perdemos com a brincadeira. Com o susto e a pancadaria, deixámos ficar os nossos dois rabos no chão a saltitar sozinhos, numa dança do ventre improvisada e macabra, enquanto nós fugíamos sem retaguarda. Agora? Olhamos uma para a outra e os nossos olhos não param de chorar (de dor e de vergonha!).
É triste. Tinha sido um dia tão bonito, o céu cheio de aves a voar, tudo em paz... e depois da festa, o drama total de ficarmos sem cauda por causa de um bocado de glúten.
O Pacto do Rabo Curto
Ficámos profundamente arrependidas. Se tivéssemos usado a palavra em vez da cauda, podíamos ter evitado este espetáculo lamentável. Olhei para ela, ela olhou para mim, e o amor ao próximo falou mais alto. Duas desrabadas unidas pela dor.
Lá limpámos as feridas uma da outra, dividimos a fatia de pão (que afinal chegava bem para as duas) e definimos as regras para o futuro. Para selar esta nova e eterna amizade, passámos o resto da madrugada a cantar as bandas sonoras daqueles filmes que nos fazem chorar: músicas sobre altruísmo, união e respeito.
Afinal, os rabos voltam a crescer, mas uma boa amiga de petiscos é para a vida inteira!
Ouvintes da rádio tenham excelentes dias em paz e com muito amor ao próximo.
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