23/09/26

CANGURU CAJU DE BEM COM A VIDA

      Olá, meu jovem amigo! Prepara o teu coração para uma história cheia de saltos, gargalhadas e um bocadinho de doce loucura. Fecha os olhos e imagina que quem te conta isto é um bicho muito especial, com uma voz quentinha e um sorriso bem maroto.

      Aqui vai:
     Olá, querido ouvinte, tu que medes os teus saltos altos no ar e que às vezes finges ser uma pessoa séria — mas eu sei que, no fundo, tens a alma feita de saltitices! O mundo é mesmo um lugar estranho, mas está cheio de seres vivos absolutamente excelentes!
      Eu moro perto de um jardim verdinho, lá no alto Minho, e aprendi a arte de voar baixinho com o meu pai, que era um professor formidável. Ainda hoje me lembro dele a dizer, com uma voz de trovão carinhoso: "Caju, meu filho, vamos saltar até Espanha para comprar ração, que por lá as sementes e os doces são mais baratos!" E lá ia eu, enfiado na bolsa quentinha da minha mãe, a espreitar os nossos queridos irmãos do outro lado da fronteira, enquanto o vento me despenteava as orelhas.
      O meu pai sempre acreditou, com o coração cheio de orgulho, que eu seria um campeão olímpico. Mas a vida tem os seus próprios caminhos rimados e, um dia, ele descobriu um pequeno detalhe: eu tinha as pernas curtas! Imagina só, um canguru de pernas curtas. Decidiu então treinar-me para ser artista de circo. Mas, ai de mim, não deu certo. Eu não gostava nada daquela comida esquisita e muito menos da disciplina de "levanta cedo e trabalha muito". O meu talento era saltar, não fazer fretes!
      Então, pus as minhas patinhas a pesquisar e descobri o meu verdadeiro destino: ser polícia de trânsito! Tirei o meu curso na Benedita — onde os saltos ganharam regras — e fiz o meu estágio na bonita vila de Sesimbra. Hoje, encontras-me nos principais cruzamentos do país, a saltar bem alto para ajudar os condutores a não se baralharem. E sabes que mais? Sou tão feliz! Custou um bocadinho a descobrir o meu caminho, mas cá estou eu, de bem com a vida e com o coração a pular de alegria.
      Amanhã vou de fim de semana. Para chegar a casa, tenho de saltar uns vinte quilómetros, mas isso, para um par de pernas felizes como as minhas, não é absolutamente nada! Por isso, ouve bem o que te digo: nunca, mas nunca desistas de procurar aquilo em que acreditas. O teu caminho pode ter curvas, mas tem sempre uma meta bonita à espera.
      Por fim, deixo-te mais um conselho de amigo: desejo-te, do fundo do coração, que não tenhas de trabalhar muito tempo ao sol, pois corres o risco de ficar demasiado bronzeado. Olha para mim: pintei o meu corpo todo de branco! Assim, os raios de sol batem e refletem para longe. É que, se apanho muito calor na cabeça, os meus pensamentos evaporam-se e eu perco logo a memória!
Se me encontrares vestido de polícia, fala comigo para irmos comer salada de ervas.

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