Olá, malta da rádio que me ouve a cantar!
Sou o Pirolito, o pinguim repórter
mais audaz do lugar, vindo diretamente da vossa Rádio Fun ASM para contar um sonho confuso, cómico e profundo.
Numa noite de bruma e de abrigo, sonhei que dormia colado a um técnico de
som... salvo seja, amigo! Que mistério bizarro da nossa emissora: como
fui parar à cama da sonoplastia a essa hora? De repente, o cenário mudou num
sopro veloz e dei por mim no mar, enfrentando uma tempestade feroz, com ventos
uivantes e chuva grossa a bater na asa, numa aventura marítima bem longe de
casa. Deslizando no gelo e quebrando as ondas com fulgor, avistei uma tabuleta
que me causou pavor: "Bem-vindos
ao Pólo Norte!" dizia o letreiro, e o meu cérebro de pinguim
congelou por inteiro!
"Alto!
Para tudo!" gritei ao vento polar, "Eu sou bicho do Sul, que faço eu
neste lugar?" Mas o mundo ignorou o meu pânico repentino; a neve caía como
açúcar, cobrindo o destino. Não havia pinguins naquele solo, mas sim uma visão
bizarra e radical: ursos polares à
linha, na pesca do bacalhau! Para animar a festa e espantar o desgosto,
decidi que o ballet era o desporto do meu gosto. Fiz piruetas, pliés
e saltei com emoção, até que escorreguei e caí com o traseiro no chão! Do céu
vinham músicas de uma outra era, trazendo uma frescura de liberdade que o peito
acelera. No meio do silêncio que a nevada trazia, apareceu um cão de galochas que por ali residia.
Procurava comida com olhar tristonho, e eu tentei entrevistá-lo, pois sou
repórter até no sonho! O cão não falava, mas abriu um belo sorriso quando lhe
demos uma bolacha Maria para o
improviso.
A solidão
começou a pesar nas minhas penas e caminhávamos no manto branco com forças
pequenas, quando, do nada, ecoou uma melodia a flutuar: era o Jorge Palma a cantar a "Estrela
do Mar"! Uma música que eu nunca ouvira na vida real ecoar. Como?
Porquê? O turbilhão de pensamentos deixou-me demente, e PUM! Acordei
sobressaltado com o sonho a desfazer-se na mente. Estava sozinho no Pólo Sul, o meu verdadeiro lar, num
dia gelado e cheio de sol a brilhar. As nuvens iam esticadas pelo vento que
corria na hora, e num cartaz gigante, um pinguim piscou-me o olho cá fora! Que
grande lição: nós só existimos no Sul! Cruzar o Equador com aquele calor corria
muito mal e eu derretia até ao final. É melhor desfrutar da vida cá em baixo
com os amigos, saltos no oceano e os nossos voos supersónicos. Quanto ao operador de som do meu sonho
atrevido, não sei quem é, mas o mistério fica bem resolvido!
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