15/09/26

MONTEJUNTO, O MACACO DETETIVE

    


      Oi, oi… isto está ligado? Cof, cof. Olá, planeta Terra! Estão a ouvir-me bem aí desse lado ou o sinal está a ser mastigado por um babuíno? Parece que a central me deu luz verde. Perfeito.

      Chamo-me Montejunto—e não "Mentejunto", a menos que estejamos a falar da minha capacidade mental brilhante de juntar pistas. Sou detetive privado. Bem, nas horas necessárias, claro, porque nas outras horas estou ocupado a ser incrivelmente charmoso.
      Deixem-me contar-vos o mistério que deu o pontapé de saída para a minha gloriosa carreira. Pairava no ar um aroma a conspiração… e não era do estrume dos elefantes. A segurança deste Jardim Zoológico estava a colapsar! Mistério número um: as bananas desapareciam misteriosamente a caminho das jaulas e só alguns felizardos guardavam o bónus da dotação diária. Mistério número dois: a água quente do banho matinal só corria nas suítes de alta esfera dos flamingos e dos leões. Nós, a plebe cá de baixo, tínhamos de tomar banho com uma água tão gelada e turva que mais parecia sopa de icebergue!
      E o pior de tudo? As correntes de ar climatéricas altamente seletivas. Uma loucura inexplicável! Uns macacos apanhavam constipações pneumónicas só de olhar para o vento, enquanto outros andavam elegantemente de tanga, de pelo ao vento, a rir-se da nossa desgraça! Haverá feitiçaria no zoo? Ou um mercado negro de aquecedores?
      Perante tanta desigualdade e segredos de bastidores, fiz o que qualquer primata honrado faria: resolvi investigar! Contactei o ultra-secreto Sindicato dos Macacos Detetives. Foi tudo muito rápido (e ligeiramente clandestino). Em três dias, recebi o meu distintivo oficial de Detetive em Serviço.
      Hoje em dia? Ah, a minha rotina é uma azáfama de pura alegria e... sacrifício, claro. Supervisiono a cozinha com olhos de lince e provo a comida as vezes que forem necessárias para garantir que não está envenenada (alguém tem de fazer esse sacrifício heróico!). Investigo se as janelas estão calafetadas e, se deteto uma brisa suspeita, fecho-as com a força de dez gorilas. Quanto ao aquecimento da água? Testo o jacuzzi de duas em duas horas. Alguém tem de manter os padrões de qualidade elevados!
      É uma profissão dura, duríssima, mas que aquece a alma… e o estômago! O pequeno poder de ajudar a comunidade e comer bananas de borla não tem preço. Se quiserem seguir este caminho cheio de intriga e glória no futuro—e se por acaso não forem macacos—esqueçam o meu sindicato. Terão de contactar o Sindicato dos Detetives Tristes (eles precisam mesmo de novos membros, aquilo anda muito deprimente).
      E agora, se me dão licença, o dever chama-me para uma ronda noturna pelas sombras do jardim. Vou preparar-me para uma noite de sono reconfortante num sítio absolutamente secreto que nem a CIA consegue localizar. É que este macaco velho não dispensa as suas oito horas de beleza biológica.
      Façam macacadas para assustar os vizinhos, mas juízo: não abusem das bananas que o mercado está instável!
      Um abraço do Montejunto, sempre em vigilância (e de olho na vossa fruteira)!

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